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Como gostar de estudar: 2 passos para criar o hábito

Como gostar de estudar: 2 passos para criar o hábito

José Roberto Mello Porto - Defensor Público Rio de Janeiro

José Roberto Mello Porto

Gostar de estudar não é pré-requisito para estudar. É consequência. E essa distinção muda tudo na sua preparação.

Eu passei anos sendo a pessoa mais inepta possível para o estudo. Fazia resumo na véspera da prova, sem a menor pretensão de aprender a matéria. Hoje olho para um manual de Direito Tributário na estante e sinto vontade de ler, mesmo sabendo que não vou aplicar aquilo diretamente na minha rotina. Alguma coisa mudou, e não foi talento.

Neste texto, eu quero mostrar o que mudou, porque é reproduzível.

Dois erros que travam quem espera “gostar” para começar

Antes de falar em como gostar de estudar, preciso afastar dois equívocos que aparecem sempre nos comentários e nas mentorias.

Erro 1: esperar o gosto chegar antes da ação

Nós não podemos condicionar o que fazemos ao que sentimos vontade de fazer. Qualquer criança com um mínimo de educação já percebeu que não dá para viver assim.

A vida adulta envolve fazer o que não se gosta. Você gosta de sobremesa, de Champions League, de viagem. Ótimo, eu também. Mas ninguém constrói nada relevante escolhendo apenas o agradável, por razões financeiras, temporais, psicológicas e comportamentais.

Sem um mínimo de ritmo, a gente fica tosco. Quem já voltou a jogar bola após meses parado sabe exatamente do que estou falando.

Erro 2: selecionar a matéria pelo que você gosta

O segundo erro é escolher o que estudar com base no paladar intelectual. Isso é o equivalente adulto de comer só purê e deixar a cenoura no prato.

O edital não é um cardápio. Ele exige que você coma de tudo, inclusive a matéria que te desagrada, inclusive a disciplina em que você vai mal.

A boa notícia: o gosto pelo estudo pode ser construído

Dito isso, eu não vim aqui apenas para insistir que estudar é obrigação. Vim trazer a parte propositiva.

É possível passar a gostar de coisas das quais você aparentemente não gosta. Concretamente, humanamente, com consequências perceptíveis em pouco tempo.

Você não vai gostar de estudar tanto quanto gosta de uma final de campeonato. Mas o estudo pode deixar de ser martírio e se tornar algo natural, com uma espécie de prazer próprio. Para entender como isso acontece, precisamos separar duas coisas que costumam viver embaralhadas: desejo e sentimento.

Desejo: o movimento que sai de você para fora

Desejo, aqui, é a manifestação de uma necessidade. Você sente fome e deseja comer. Você precisa pagar as contas e desenvolve o desejo de ganhar mais. O desejo nasce dentro e te empurra para fora.

Os desejos, porém, se escalonam. Os animais têm desejos ligados à sobrevivência: comer, dormir, procriar. Temos esses também, mas não paramos aí.

O ser humano tem desejo de sociabilidade, desejo de transcendência, desejo de honra, desejo de legado. E tem, principalmente para o nosso assunto, desejo de saber. São Tomás chamava isso de inclinações naturais: um pacote que já vem com a forma humana.

Você já tem desejo de saber (só está mal endereçado)

Aqui costuma vir a objeção: “Zé Roberto, isso é lindo, mas eu não tenho esse desejo de saber. Quero passar no concurso, ganhar bem e viajar.”

Eu me imagino perfeitamente dizendo isso em 2013, com toda honestidade. Mas repare no seu próprio comportamento.

Aquela discussão que você faz questão de vencer no grupo do WhatsApp, a notícia que você encaminha para mostrar que sempre teve razão, a escalação do time que você confere antes do jogo, a tendência que você acompanha. Tudo isso é desejo de saber em operação. Pode estar movido por vaidade, pode estar apontado para o objeto errado, mas ele existe.

O problema nunca foi ausência de desejo de saber. Foi endereço.

Sentimento: o eco que vem de fora para dentro

O sentimento faz o caminho inverso do desejo. Ele é o eco interior daquilo que acontece à sua volta, e por isso tem caráter passivo. Daí, aliás, a palavra paixão.

Alegria, tristeza, desânimo, esperança, decepção: tudo isso compõe você e vai continuar compondo. Não existe versão sua sem afeto, e nem deveria existir. Não é objetivo do estudo transformar ninguém em máquina insensível, que ignora a namorada, a mãe doente e o amigo em dificuldade para cumprir a meta do dia.

O sentimento funciona como o fogo. Fogo é bom ou ruim? Depende. Incendeia a casa e também assa o churrasco. Sem ele, você não cozinha.

Foi um sentimento que me tirou de casa num dia de chuva e trânsito no Rio para ver Flamengo e Grêmio no Maracanã, aquele 5 a 0 da semifinal da Libertadores. Nas condições normais, eu não teria saído. A esperança e a paixão me empurraram, e valeu a pena.

Sentimentos animam. Fortalecem a liberdade. Tornam mais leve aquilo que seria pesado.

Ser afetado é normal, ser mal afetado é o problema

Sentir desânimo diante do material é normal. Sentir tédio numa disciplina e entusiasmo em outra é normal. Ser assaltado vinte vezes por dia pela vontade de olhar o Instagram é normal.

Nada disso indica haver algo errado com você. O problema aparece quando você é mal afetado: quando se desorienta, faz só o que gosta, abandona o que não gosta e passa a gostar das coisas erradas.

Inclusive, preste atenção neste detalhe. Se você fura o próprio compromisso e sente culpa, esse peso é um bom sinal. Ele mostra que seus sentimentos ainda apontam para o lugar certo. O quadro grave é o oposto: matar o compromisso e sentir prazer nisso.

Como educar os sentimentos: racionalizar no instante

O caminho para deixar de ser refém do humor é a razão. Não a razão sozinha, no vazio, mas a razão comandando a vontade no momento exato em que o impulso chega.

Toda vez que você for assaltado por um “não estou a fim disso agora”, a pergunta é sempre a mesma: o que eu tenho que fazer? Você responde, corta e cumpre. Repete no assalto seguinte.

Esse espírito de exame, aplicado dezenas de vezes por dia, é o que educa o afeto. Com o tempo, o sentimento para de puxar para longe do estudo e passa a empurrar na direção dele.

O homem virtuoso, no fim das contas, é aquele que enxerga o bem pela inteligência, cumpre esse bem pela vontade e ainda tem os sentimentos alinhados a favor. Esse não tem retorno.

Leia mais: Como estudar para Concurso Público: Método Completo 2026

Os dois passos para desenvolver a virtude do estudo

Virtude não se instala por decisão heroica de domingo à noite. Ela se constrói por um mecanismo bem simples, que vale para qualquer virtude: paciência, justiça, desapego, laboriosidade e também aquilo que poderíamos chamar de estudiosidade.

São dois passos, nesta ordem:

  1. Olhar para o bem que está atrás da virtude. Não pare na vaidade de “seria bom ser uma pessoa estudiosa”. Vá ao fim da coisa: como seria bom saber mais, sair da mediocridade intelectual, deixar de opinar sobre tudo sem saber nada, ter uma vida de estudo que continua depois da aprovação.

  2. Agir concretamente, com atos repetidos. Atos repetidos geram vícios ou virtudes, sem exceção. Cada manhã em que você adia o despertador, você se torna um pouco mais desleixado. Cada manhã em que você levanta na hora, você soma uma vitória.

O ponto do segundo passo é justamente a ausência de mágica. Amanhã tem jogo de novo: você contra o despertador. Você contra o horário de início. Você contra a matéria que menos gosta.

Pense no que acontece quando um time em situação ruim troca de treinador na reta final. Ninguém espera uma revolução tática nem contratações milagrosas. Espera-se ânimo, saída da inércia, uma sequência de pequenos atos bons que voltem a somar pontos. É exatamente isso que falta na rotina de muitos candidatos.

O que muda quando a virtude se instala

Se você for fiel aos horários, fiel ao material e fiel inclusive à matéria de que gosta menos, a virtude do estudo entra na sua alma. Não é força de expressão.

Você se torna uma pessoa estudiosa de verdade. E aí acontece a inversão: aquilo que atrapalhava, o seu gosto, passa a impulsionar. À noite, diante da escolha entre mais uma rolagem infinita e trinta minutos de leitura, uma parte de você vai preferir a leitura.

Eu, que não conseguia ler uma revista em quadrinhos inteira, cheguei lá. Não por talento, e sim por repetição.

Onde o método entra nessa conta

Nada disso funciona no vácuo. Fidelidade ao horário sem clareza sobre o que estudar produz esforço desperdiçado, e esforço desperdiçado destrói o ânimo que a virtude precisa para se formar.

É por isso que, na nossa preparação, o estudo certo vem antes do volume de estudo. O Método das Duas Memórias organiza o que precisa ser compreendido e o que precisa ser retido, e os Cadernos em Poesia atacam justamente a parte que mais gera frustração e abandono: a memorização da letra fria da lei. [link interno: método das duas memórias]

Repetir atos bons é decisão sua. Ter um sistema que faça esses atos renderem é o que nós entregamos.

Se você quer estruturar essa rotina com um caminho definido do zero até a posse, conheça o Método Até a Aprovação.

Gostar de estudar não é pré-requisito para estudar. É consequência. E essa distinção muda tudo na sua preparação.

Eu passei anos sendo a pessoa mais inepta possível para o estudo. Fazia resumo na véspera da prova, sem a menor pretensão de aprender a matéria. Hoje olho para um manual de Direito Tributário na estante e sinto vontade de ler, mesmo sabendo que não vou aplicar aquilo diretamente na minha rotina. Alguma coisa mudou, e não foi talento.

Neste texto, eu quero mostrar o que mudou, porque é reproduzível.

Dois erros que travam quem espera “gostar” para começar

Antes de falar em como gostar de estudar, preciso afastar dois equívocos que aparecem sempre nos comentários e nas mentorias.

Erro 1: esperar o gosto chegar antes da ação

Nós não podemos condicionar o que fazemos ao que sentimos vontade de fazer. Qualquer criança com um mínimo de educação já percebeu que não dá para viver assim.

A vida adulta envolve fazer o que não se gosta. Você gosta de sobremesa, de Champions League, de viagem. Ótimo, eu também. Mas ninguém constrói nada relevante escolhendo apenas o agradável, por razões financeiras, temporais, psicológicas e comportamentais.

Sem um mínimo de ritmo, a gente fica tosco. Quem já voltou a jogar bola após meses parado sabe exatamente do que estou falando.

Erro 2: selecionar a matéria pelo que você gosta

O segundo erro é escolher o que estudar com base no paladar intelectual. Isso é o equivalente adulto de comer só purê e deixar a cenoura no prato.

O edital não é um cardápio. Ele exige que você coma de tudo, inclusive a matéria que te desagrada, inclusive a disciplina em que você vai mal.

A boa notícia: o gosto pelo estudo pode ser construído

Dito isso, eu não vim aqui apenas para insistir que estudar é obrigação. Vim trazer a parte propositiva.

É possível passar a gostar de coisas das quais você aparentemente não gosta. Concretamente, humanamente, com consequências perceptíveis em pouco tempo.

Você não vai gostar de estudar tanto quanto gosta de uma final de campeonato. Mas o estudo pode deixar de ser martírio e se tornar algo natural, com uma espécie de prazer próprio. Para entender como isso acontece, precisamos separar duas coisas que costumam viver embaralhadas: desejo e sentimento.

Desejo: o movimento que sai de você para fora

Desejo, aqui, é a manifestação de uma necessidade. Você sente fome e deseja comer. Você precisa pagar as contas e desenvolve o desejo de ganhar mais. O desejo nasce dentro e te empurra para fora.

Os desejos, porém, se escalonam. Os animais têm desejos ligados à sobrevivência: comer, dormir, procriar. Temos esses também, mas não paramos aí.

O ser humano tem desejo de sociabilidade, desejo de transcendência, desejo de honra, desejo de legado. E tem, principalmente para o nosso assunto, desejo de saber. São Tomás chamava isso de inclinações naturais: um pacote que já vem com a forma humana.

Você já tem desejo de saber (só está mal endereçado)

Aqui costuma vir a objeção: “Zé Roberto, isso é lindo, mas eu não tenho esse desejo de saber. Quero passar no concurso, ganhar bem e viajar.”

Eu me imagino perfeitamente dizendo isso em 2013, com toda honestidade. Mas repare no seu próprio comportamento.

Aquela discussão que você faz questão de vencer no grupo do WhatsApp, a notícia que você encaminha para mostrar que sempre teve razão, a escalação do time que você confere antes do jogo, a tendência que você acompanha. Tudo isso é desejo de saber em operação. Pode estar movido por vaidade, pode estar apontado para o objeto errado, mas ele existe.

O problema nunca foi ausência de desejo de saber. Foi endereço.

Sentimento: o eco que vem de fora para dentro

O sentimento faz o caminho inverso do desejo. Ele é o eco interior daquilo que acontece à sua volta, e por isso tem caráter passivo. Daí, aliás, a palavra paixão.

Alegria, tristeza, desânimo, esperança, decepção: tudo isso compõe você e vai continuar compondo. Não existe versão sua sem afeto, e nem deveria existir. Não é objetivo do estudo transformar ninguém em máquina insensível, que ignora a namorada, a mãe doente e o amigo em dificuldade para cumprir a meta do dia.

O sentimento funciona como o fogo. Fogo é bom ou ruim? Depende. Incendeia a casa e também assa o churrasco. Sem ele, você não cozinha.

Foi um sentimento que me tirou de casa num dia de chuva e trânsito no Rio para ver Flamengo e Grêmio no Maracanã, aquele 5 a 0 da semifinal da Libertadores. Nas condições normais, eu não teria saído. A esperança e a paixão me empurraram, e valeu a pena.

Sentimentos animam. Fortalecem a liberdade. Tornam mais leve aquilo que seria pesado.

Ser afetado é normal, ser mal afetado é o problema

Sentir desânimo diante do material é normal. Sentir tédio numa disciplina e entusiasmo em outra é normal. Ser assaltado vinte vezes por dia pela vontade de olhar o Instagram é normal.

Nada disso indica haver algo errado com você. O problema aparece quando você é mal afetado: quando se desorienta, faz só o que gosta, abandona o que não gosta e passa a gostar das coisas erradas.

Inclusive, preste atenção neste detalhe. Se você fura o próprio compromisso e sente culpa, esse peso é um bom sinal. Ele mostra que seus sentimentos ainda apontam para o lugar certo. O quadro grave é o oposto: matar o compromisso e sentir prazer nisso.

Como educar os sentimentos: racionalizar no instante

O caminho para deixar de ser refém do humor é a razão. Não a razão sozinha, no vazio, mas a razão comandando a vontade no momento exato em que o impulso chega.

Toda vez que você for assaltado por um “não estou a fim disso agora”, a pergunta é sempre a mesma: o que eu tenho que fazer? Você responde, corta e cumpre. Repete no assalto seguinte.

Esse espírito de exame, aplicado dezenas de vezes por dia, é o que educa o afeto. Com o tempo, o sentimento para de puxar para longe do estudo e passa a empurrar na direção dele.

O homem virtuoso, no fim das contas, é aquele que enxerga o bem pela inteligência, cumpre esse bem pela vontade e ainda tem os sentimentos alinhados a favor. Esse não tem retorno.

Leia mais: Como estudar para Concurso Público: Método Completo 2026

Os dois passos para desenvolver a virtude do estudo

Virtude não se instala por decisão heroica de domingo à noite. Ela se constrói por um mecanismo bem simples, que vale para qualquer virtude: paciência, justiça, desapego, laboriosidade e também aquilo que poderíamos chamar de estudiosidade.

São dois passos, nesta ordem:

  1. Olhar para o bem que está atrás da virtude. Não pare na vaidade de “seria bom ser uma pessoa estudiosa”. Vá ao fim da coisa: como seria bom saber mais, sair da mediocridade intelectual, deixar de opinar sobre tudo sem saber nada, ter uma vida de estudo que continua depois da aprovação.

  2. Agir concretamente, com atos repetidos. Atos repetidos geram vícios ou virtudes, sem exceção. Cada manhã em que você adia o despertador, você se torna um pouco mais desleixado. Cada manhã em que você levanta na hora, você soma uma vitória.

O ponto do segundo passo é justamente a ausência de mágica. Amanhã tem jogo de novo: você contra o despertador. Você contra o horário de início. Você contra a matéria que menos gosta.

Pense no que acontece quando um time em situação ruim troca de treinador na reta final. Ninguém espera uma revolução tática nem contratações milagrosas. Espera-se ânimo, saída da inércia, uma sequência de pequenos atos bons que voltem a somar pontos. É exatamente isso que falta na rotina de muitos candidatos.

O que muda quando a virtude se instala

Se você for fiel aos horários, fiel ao material e fiel inclusive à matéria de que gosta menos, a virtude do estudo entra na sua alma. Não é força de expressão.

Você se torna uma pessoa estudiosa de verdade. E aí acontece a inversão: aquilo que atrapalhava, o seu gosto, passa a impulsionar. À noite, diante da escolha entre mais uma rolagem infinita e trinta minutos de leitura, uma parte de você vai preferir a leitura.

Eu, que não conseguia ler uma revista em quadrinhos inteira, cheguei lá. Não por talento, e sim por repetição.

Onde o método entra nessa conta

Nada disso funciona no vácuo. Fidelidade ao horário sem clareza sobre o que estudar produz esforço desperdiçado, e esforço desperdiçado destrói o ânimo que a virtude precisa para se formar.

É por isso que, na nossa preparação, o estudo certo vem antes do volume de estudo. O Método das Duas Memórias organiza o que precisa ser compreendido e o que precisa ser retido, e os Cadernos em Poesia atacam justamente a parte que mais gera frustração e abandono: a memorização da letra fria da lei. [link interno: método das duas memórias]

Repetir atos bons é decisão sua. Ter um sistema que faça esses atos renderem é o que nós entregamos.

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Gostar de estudar não é pré-requisito para estudar. É consequência. E essa distinção muda tudo na sua preparação.

Eu passei anos sendo a pessoa mais inepta possível para o estudo. Fazia resumo na véspera da prova, sem a menor pretensão de aprender a matéria. Hoje olho para um manual de Direito Tributário na estante e sinto vontade de ler, mesmo sabendo que não vou aplicar aquilo diretamente na minha rotina. Alguma coisa mudou, e não foi talento.

Neste texto, eu quero mostrar o que mudou, porque é reproduzível.

Dois erros que travam quem espera “gostar” para começar

Antes de falar em como gostar de estudar, preciso afastar dois equívocos que aparecem sempre nos comentários e nas mentorias.

Erro 1: esperar o gosto chegar antes da ação

Nós não podemos condicionar o que fazemos ao que sentimos vontade de fazer. Qualquer criança com um mínimo de educação já percebeu que não dá para viver assim.

A vida adulta envolve fazer o que não se gosta. Você gosta de sobremesa, de Champions League, de viagem. Ótimo, eu também. Mas ninguém constrói nada relevante escolhendo apenas o agradável, por razões financeiras, temporais, psicológicas e comportamentais.

Sem um mínimo de ritmo, a gente fica tosco. Quem já voltou a jogar bola após meses parado sabe exatamente do que estou falando.

Erro 2: selecionar a matéria pelo que você gosta

O segundo erro é escolher o que estudar com base no paladar intelectual. Isso é o equivalente adulto de comer só purê e deixar a cenoura no prato.

O edital não é um cardápio. Ele exige que você coma de tudo, inclusive a matéria que te desagrada, inclusive a disciplina em que você vai mal.

A boa notícia: o gosto pelo estudo pode ser construído

Dito isso, eu não vim aqui apenas para insistir que estudar é obrigação. Vim trazer a parte propositiva.

É possível passar a gostar de coisas das quais você aparentemente não gosta. Concretamente, humanamente, com consequências perceptíveis em pouco tempo.

Você não vai gostar de estudar tanto quanto gosta de uma final de campeonato. Mas o estudo pode deixar de ser martírio e se tornar algo natural, com uma espécie de prazer próprio. Para entender como isso acontece, precisamos separar duas coisas que costumam viver embaralhadas: desejo e sentimento.

Desejo: o movimento que sai de você para fora

Desejo, aqui, é a manifestação de uma necessidade. Você sente fome e deseja comer. Você precisa pagar as contas e desenvolve o desejo de ganhar mais. O desejo nasce dentro e te empurra para fora.

Os desejos, porém, se escalonam. Os animais têm desejos ligados à sobrevivência: comer, dormir, procriar. Temos esses também, mas não paramos aí.

O ser humano tem desejo de sociabilidade, desejo de transcendência, desejo de honra, desejo de legado. E tem, principalmente para o nosso assunto, desejo de saber. São Tomás chamava isso de inclinações naturais: um pacote que já vem com a forma humana.

Você já tem desejo de saber (só está mal endereçado)

Aqui costuma vir a objeção: “Zé Roberto, isso é lindo, mas eu não tenho esse desejo de saber. Quero passar no concurso, ganhar bem e viajar.”

Eu me imagino perfeitamente dizendo isso em 2013, com toda honestidade. Mas repare no seu próprio comportamento.

Aquela discussão que você faz questão de vencer no grupo do WhatsApp, a notícia que você encaminha para mostrar que sempre teve razão, a escalação do time que você confere antes do jogo, a tendência que você acompanha. Tudo isso é desejo de saber em operação. Pode estar movido por vaidade, pode estar apontado para o objeto errado, mas ele existe.

O problema nunca foi ausência de desejo de saber. Foi endereço.

Sentimento: o eco que vem de fora para dentro

O sentimento faz o caminho inverso do desejo. Ele é o eco interior daquilo que acontece à sua volta, e por isso tem caráter passivo. Daí, aliás, a palavra paixão.

Alegria, tristeza, desânimo, esperança, decepção: tudo isso compõe você e vai continuar compondo. Não existe versão sua sem afeto, e nem deveria existir. Não é objetivo do estudo transformar ninguém em máquina insensível, que ignora a namorada, a mãe doente e o amigo em dificuldade para cumprir a meta do dia.

O sentimento funciona como o fogo. Fogo é bom ou ruim? Depende. Incendeia a casa e também assa o churrasco. Sem ele, você não cozinha.

Foi um sentimento que me tirou de casa num dia de chuva e trânsito no Rio para ver Flamengo e Grêmio no Maracanã, aquele 5 a 0 da semifinal da Libertadores. Nas condições normais, eu não teria saído. A esperança e a paixão me empurraram, e valeu a pena.

Sentimentos animam. Fortalecem a liberdade. Tornam mais leve aquilo que seria pesado.

Ser afetado é normal, ser mal afetado é o problema

Sentir desânimo diante do material é normal. Sentir tédio numa disciplina e entusiasmo em outra é normal. Ser assaltado vinte vezes por dia pela vontade de olhar o Instagram é normal.

Nada disso indica haver algo errado com você. O problema aparece quando você é mal afetado: quando se desorienta, faz só o que gosta, abandona o que não gosta e passa a gostar das coisas erradas.

Inclusive, preste atenção neste detalhe. Se você fura o próprio compromisso e sente culpa, esse peso é um bom sinal. Ele mostra que seus sentimentos ainda apontam para o lugar certo. O quadro grave é o oposto: matar o compromisso e sentir prazer nisso.

Como educar os sentimentos: racionalizar no instante

O caminho para deixar de ser refém do humor é a razão. Não a razão sozinha, no vazio, mas a razão comandando a vontade no momento exato em que o impulso chega.

Toda vez que você for assaltado por um “não estou a fim disso agora”, a pergunta é sempre a mesma: o que eu tenho que fazer? Você responde, corta e cumpre. Repete no assalto seguinte.

Esse espírito de exame, aplicado dezenas de vezes por dia, é o que educa o afeto. Com o tempo, o sentimento para de puxar para longe do estudo e passa a empurrar na direção dele.

O homem virtuoso, no fim das contas, é aquele que enxerga o bem pela inteligência, cumpre esse bem pela vontade e ainda tem os sentimentos alinhados a favor. Esse não tem retorno.

Leia mais: Como estudar para Concurso Público: Método Completo 2026

Os dois passos para desenvolver a virtude do estudo

Virtude não se instala por decisão heroica de domingo à noite. Ela se constrói por um mecanismo bem simples, que vale para qualquer virtude: paciência, justiça, desapego, laboriosidade e também aquilo que poderíamos chamar de estudiosidade.

São dois passos, nesta ordem:

  1. Olhar para o bem que está atrás da virtude. Não pare na vaidade de “seria bom ser uma pessoa estudiosa”. Vá ao fim da coisa: como seria bom saber mais, sair da mediocridade intelectual, deixar de opinar sobre tudo sem saber nada, ter uma vida de estudo que continua depois da aprovação.

  2. Agir concretamente, com atos repetidos. Atos repetidos geram vícios ou virtudes, sem exceção. Cada manhã em que você adia o despertador, você se torna um pouco mais desleixado. Cada manhã em que você levanta na hora, você soma uma vitória.

O ponto do segundo passo é justamente a ausência de mágica. Amanhã tem jogo de novo: você contra o despertador. Você contra o horário de início. Você contra a matéria que menos gosta.

Pense no que acontece quando um time em situação ruim troca de treinador na reta final. Ninguém espera uma revolução tática nem contratações milagrosas. Espera-se ânimo, saída da inércia, uma sequência de pequenos atos bons que voltem a somar pontos. É exatamente isso que falta na rotina de muitos candidatos.

O que muda quando a virtude se instala

Se você for fiel aos horários, fiel ao material e fiel inclusive à matéria de que gosta menos, a virtude do estudo entra na sua alma. Não é força de expressão.

Você se torna uma pessoa estudiosa de verdade. E aí acontece a inversão: aquilo que atrapalhava, o seu gosto, passa a impulsionar. À noite, diante da escolha entre mais uma rolagem infinita e trinta minutos de leitura, uma parte de você vai preferir a leitura.

Eu, que não conseguia ler uma revista em quadrinhos inteira, cheguei lá. Não por talento, e sim por repetição.

Onde o método entra nessa conta

Nada disso funciona no vácuo. Fidelidade ao horário sem clareza sobre o que estudar produz esforço desperdiçado, e esforço desperdiçado destrói o ânimo que a virtude precisa para se formar.

É por isso que, na nossa preparação, o estudo certo vem antes do volume de estudo. O Método das Duas Memórias organiza o que precisa ser compreendido e o que precisa ser retido, e os Cadernos em Poesia atacam justamente a parte que mais gera frustração e abandono: a memorização da letra fria da lei. [link interno: método das duas memórias]

Repetir atos bons é decisão sua. Ter um sistema que faça esses atos renderem é o que nós entregamos.

Se você quer estruturar essa rotina com um caminho definido do zero até a posse, conheça o Método Até a Aprovação.

Imagem de capa do artigo: Como aproveitar o tempo de estudo para concurso

Você parou de estudar e não consegue voltar. Tenta recomeçar na segunda, aguenta três dias e para de novo.

Eu ouço essa pergunta o tempo todo. Vem do aluno que está há meses parado, vem do seguidor que foi mal na última prova e vem, sinceramente, de gente que nem tem relação com concurso público. Outro dia, o porteiro do meu prédio me perguntou como fazia para “ter ânimo” de voltar a estudar.

A pergunta é sempre a mesma. E a resposta, na minha experiência, quase nunca está onde as pessoas procuram.

Ganhar ritmo demora. Perder ritmo é rápido

Terça passada eu resolvi jogar uma pelada. Fazia uns dois anos que eu prometia isso para mim mesmo. Dei dois piques em campo e achei que ia entrar em coma.

Foi um lembrete útil. Ritmo é uma construção lenta e uma perda instantânea.

Se isso vale para o futebol, que é prazeroso, imagine para o estudo, que na maior parte dos dias é simplesmente chato. A gente perde o ritmo de estudo com uma facilidade enorme, e não há nada de excepcional nisso. O problema não é perder. É a dimensão da pausa.

Conheça o Método completo da EAA: Como estudar para concurso: método, material e mentalidade.

Pequenas retomadas são normais. Grandes pausas custam anos

Existe uma retomada que acontece todo dia e não deveria angustiar ninguém. Você senta no mesmo lugar, no mesmo horário, com o mesmo material, e o rendimento é pior que o de ontem. Amanhã você ajusta.

Isso é normal em qualquer atividade humana, do trabalho à vida espiritual. Não vale a pena transformar um dia fraco em crise existencial.

O que me preocupa é a grande pausa. É o “estou parado desde o carnaval”. É o “esse ano não rendeu, deixa para o ano que vem”. É a retomada que exige planejar tudo de novo, comprar material de novo, começar do zero de novo.

É exatamente aí que nasce a conta de oito, dez, doze anos de estudo sem aprovação. Não existe quem estude dois anos com seriedade, ritmo e renúncia e não evolua de forma visível. Pode acontecer de tomar um azar monstruoso numa prova; isso é da vida. Mas estagnar depois de dois anos de estudo sério é praticamente impossível, porque o nível médio da concorrência é mais baixo do que se imagina. Quem estuda de verdade se destaca rápido.

Leia mais: Como estudar a lei seca sem decorar artigo por artigo

As grandes pausas costumam vir de duas fontes.

A primeira é o desânimo, e o momento mais perigoso é o pós prova. Uma prova mal resolvida derruba qualquer um, e é comum a cabeça concluir ali que “isso não é para mim”. Aí vem a semana sabática, que vira mês sabático, que vira ano sabático.

A segunda são as complicações reais da vida. Imprevistos acontecem, e às vezes eles param você de fato. O ponto é que a pausa involuntária dura o tempo do imprevisto, não o tempo do desânimo que ela deixa.

As três desculpas que travam a retomada dos estudos

Honestamente, não me interessa por que você parou. Me interessa por que você não está conseguindo voltar. E aqui as respostas se repetem muito.

“Eu não tenho o material certo”

Traduzindo: eu não tenho os instrumentos.

Eu faço isso comigo mesmo. Tem uma prática pessoal que eu sei que mudaria coisas importantes na minha vida, e eu venho adiando há anos com a desculpa de que não tenho uma agenda adequada. É a maior mentira do mundo. Eu posso anotar num papel, posso anotar no braço.

Quando prestei a prova do mestrado, era uma lista longa de textos obrigatórios. Consegui quase todos e faltavam dois. Na época eu era um sujeito operativo, então comecei pelos que tinha e fui atrás dos outros em paralelo. Hoje, se eu não tomar cuidado, a reação seria outra: faltam dois, começo depois.

Você não precisa do melhor material de todas as matérias. Você precisa de um material de uma matéria para começar amanhã. O resto se resolve andando.

“Eu não sei por onde começar”

Essa é legítima e é consequência direta do excesso de informação. Hoje existem tantos métodos, cronogramas e sistemas concorrentes que a pessoa fica paralisada tentando escolher a melhor forma de começar em vez de começar.

A solução é cortar e simplificar. Não é achar o método perfeito, é reduzir a decisão a um tamanho executável.

Faça propósitos concretíssimos e pequenos para o dia seguinte. Qual matéria eu vou estudar? A primeira que veio à sua cabeça agora serve. Qual material eu tenho? Esse mesmo. A que horas eu sento? Oito da manhã.

É difícil levantar e andar. Depois que você está andando, você vai. Ninguém desiste no meio da corrida: a parte difícil é calçar o tênis e entrar no elevador.

Simplificar, aliás, é o problema que o Método das Duas Memórias resolve na origem. Ele organiza o estudo em memória visual e memória recente para que você não gaste energia decidindo o que fazer, e os Cadernos em Poesia existem para que o material já chegue pronto para ser estudado, não para ser montado.

“Eu acho que não sou mais capaz”

Essa é a mais perigosa, porque, quando o ser humano para de acreditar que consegue, ele parou de verdade.

Eu passei cinco anos de faculdade matando aula, comprando salgado na atlética e dormindo até as dez da manhã. Eu tinha plena convicção de que era impossível para mim ter uma rotina de estudar todo dia, o dia inteiro. Estava errado. Comecei a andar e percebi que era mais fácil do que a minha cabeça vendia.

Também não acredite na versão oposta, aquela de que “no fim sempre dá certo”. Não existe virada automática. Existe ato.

O plano para amanhã de manhã

Se você quer voltar a estudar, decida agora, antes de dormir, o que vai mudar. E comece por estas quatro coisas.

  • Pratique pequenos atos de autodisciplina: levantar quando o despertador tocar, fazer a cama, tomar o café sem açúcar, não passar cinco minutos ajustando a temperatura do quarto antes de sentar.

  • Use a regra dos cinco segundos: quando bater a vontade de adiar, corte em cinco segundos e execute. Não se negocia com terrorista.

  • Pule na piscina: você já está sentado na beirada, de roupa de banho, e não falta absolutamente nada. Amanhã, às oito da manhã, pegue o material e leia.

  • Olhe para as derrotas passadas: as coisas que você queria ter feito, os meses que passaram, as promessas que não saíram do papel.

Vale detalhar as duas últimas, porque elas são as que mais doem e as que mais funcionam.

A ideia da piscina é simples. Na beira, com a água mais ou menos fria, a agonia é toda antecipatória. Entrando devagar, você sofre por dez minutos. Pulando, você sofre por dois segundos e depois nem estava tão frio. Estudar é igual. Não falta comprar marca texto, não falta encontrar o cronograma ideal, não falta um ambiente perfeito. Falta pular.

Olhar para as derrotas é mais desconfortável, e por isso quase ninguém faz. Liguei a televisão outro dia e me peguei assistindo golfe. Nada na minha lista de prioridades justificava aquilo. E é bom que isso incomode. Uma dor saudável pela falta de cumprimento do dever é o que produz correção de rota. Sem ela, o tempo perdido no Instagram continua parecendo inofensivo.

O exame de um minuto que sustenta a retomada

Tem uma coisa que faz mais diferença do que qualquer cronograma, e ela custa um minuto por dia.

No fim do dia, você para, pega qualquer papel e responde a três perguntas. O que fiz bem? O que fiz de mal? Qual é o meu propósito concreto para amanhã?

No dia seguinte, você cumpre o propósito que escreveu. Só isso.

Quem se examina e faz propósitos vai muito bem. Quem se examina e não faz propósitos ainda está razoável. Quem não se examina e não faz propósitos é quem passa anos recomeçando.

Voltar com método, não com força de vontade

Toda retomada baseada apenas em empolgação tem prazo de validade curto. O que sustenta o retorno é reduzir o atrito: material pronto, sequência definida, revisão embutida na rotina.

É isso que a Escola Até a Aprovação organiza em um único lugar, com o Método das Duas Memórias como espinha dorsal, os Cadernos em Poesia como material de estudo e os Módulos Sob Medida acompanhando o edital que você vai prestar. Você não precisa montar nada. Precisa sentar e estudar.

Se a sua retomada já teve versões demais, comece a próxima com estrutura. Conheça o curso e faça sua matrícula no Método até a Aprovação.

Imagem de capa do artigo: Concurso PGE BA Procurador 2026: 20 vagas e o que estudar

Você quer uma das 20 vagas de Procurador do Estado da Bahia, mas ainda não sabe o que já é oficial e o que é expectativa. Essa dúvida custa tempo de estudo. Reunimos abaixo apenas o que está documentado até agora e, principalmente, o que dá para fazer com essa informação.

Dados gerais

Item

Situação atual

Status

Concurso autorizado; contratação da banca formalizada por dispensa de licitação

Banca

FCC apontada como provável — o nome não consta no extrato publicado

Vagas (Procurador)

20

Remuneração inicial

Pode chegar a R$ 33,5 mil

Jornada

40 horas semanais

Requisito

Bacharelado em Direito

Último edital

2013, organizado pelo Cebraspe

Previsão de edital

2026

Os dados acima mudam conforme o certame avança. O que está consolidado até aqui vem de atos oficiais, e é por eles que vale começar.

O que já está definido no concurso PGE BA

O governador Jerônimo Rodrigues autorizou a abertura do concurso público da Procuradoria-Geral do Estado da Bahia, com 20 vagas para Procurador do Estado.

O passo seguinte foi a publicação do Resumo da Dispensa de Licitação n.º 020/2026, pela Secretaria da Administração, no Diário Oficial do Estado. O objeto é a contratação de empresa especializada para organizar e realizar o concurso, com valor global de R$ 1.306.000,00, vigência de 12 meses e assinatura em 02/09/2026. Vale notar que o mesmo processo abrange três cargos: 20 vagas de Procurador, 65 de Analista de Procuradoria e 50 de Assistente de Procuradoria.

Antes disso, a Comissão do Concurso já havia sido designada pela Resolução CS nº 024, de 18 de novembro de 2025, do Conselho Superior da Procuradoria-Geral do Estado. Cabe a ela elaborar o edital e conduzir o procedimento, com participação da Ordem dos Advogados do Brasil, Seção Bahia.

Por que ainda falamos em “banca provável”

O extrato da dispensa não traz o nome da instituição contratada. A Fundação Carlos Chagas aparece como provável escolhida segundo o processo interno, mas isso não é o mesmo que confirmação formal.

Essa distinção importa para o seu estudo. Cada banca tem estilo próprio de cobrança, e ajustar treino de questões a uma banca não confirmada é um risco desnecessário nesta fase. O caminho seguro agora é reforçar base doutrinária e legislação, deixando o ajuste fino de estilo para depois da publicação do edital.

A carreira de Procurador do Estado na Bahia

O requisito de ingresso é ser bacharel em Direito e ter completado, na data da nomeação, dois anos de conclusão do curso, comprovados por diploma registrado no MEC ou certidão da instituição de ensino.

Sobre a remuneração, é comum ver o número de R$ 33,5 mil circulando sem explicação. Ele não é o vencimento básico. No último edital publicado, o vencimento do Procurador foi de R$ 6.700,92, acrescido de vantagens próprias da carreira:

  • Gratificação Especial de Produtividade, de até 80% do vencimento básico da classe

  • Gratificação Especial de Desempenho, de até 80% do vencimento básico da classe

  • Adicional de Dedicação Exclusiva, de 80% do vencimento básico da classe

Todas seguem critérios e limites fixados em regulamento. Ou seja: o teto divulgado depende da composição integral dessas parcelas, e os valores da tabela vigente devem ser conferidos no edital quando publicado.

Leia mais: Como estudar para concurso: método, material e mentalidade

O que o último edital revela sobre a prova

O concurso anterior é de 2013, sob organização do Cebraspe, com 25 vagas para Procurador do Estado – 3.ª Classe, sendo 23 de ampla concorrência e 2 reservadas a candidatos com deficiência. Nada garante que o próximo edital repita esse desenho, mas ele é a melhor referência disponível hoje.

A prova objetiva teve 200 questões no formato certo ou errado, agrupadas por comandos, com a seguinte distribuição:


Bloco

Disciplinas

Questões

I

Direito Administrativo e Constitucional

45

II

Direito Civil, Empresarial e Processual Civil

40

III

Direito Ambiental e Agrário

35

IV

Direito Penal e Processual Penal

20

V

Direito do Trabalho e Processual do Trabalho

20

VI

Direito Tributário e Financeiro

40

Foi eliminado quem obteve nota inferior a 60,00 pontos. Repare no peso combinado de Administrativo, Constitucional, Tributário e Financeiro: é o núcleo da atuação de um procurador estadual, e é onde o estudo precisa ter profundidade real, não apenas cobertura.

A fase prático-discursiva foi composta por três provas — P2, P3 e P4 —, cada uma valendo 100,00 pontos. P2 e P4 exigiram um parecer de até 120 linhas, mais três questões discursivas de até 30 linhas cada. P3 exigiu uma peça processual de até 120 linhas, também com três questões discursivas de 30 linhas.

Some as três provas e o quadro fica claro: duas peças de parecer, uma peça processual e nove questões discursivas. É aqui que a maioria dos candidatos perde o concurso, não na objetiva.

Por fim, a avaliação de títulos somou no máximo 30,00 pontos, com doutorado em Direito valendo 3,50, mestrado 1,75 e especialização de no mínimo 360 horas valendo 1,00 por certificado, até 2,00. Exercício de cargos como Magistratura, Ministério Público, Procuradorias e Defensoria pontuou 1,50 por ano, até 9,00.

Como se preparar para o concurso PGE BA Procurador

Seis blocos de matéria, prova discursiva pesada e edital ainda sem data definida formam um cenário em que o problema não é falta de tempo — é dispersão. Estudar tudo um pouco, sem sistema de retenção, é o que faz o candidato chegar à véspera revisando conteúdo que já tinha visto três vezes.

Na Escola Até a Aprovação, trabalhamos essa fase com três frentes conectadas.

A primeira é o Método das Duas Memórias, que combina memória visual e memória recente para que o conteúdo estudado no primeiro mês continue disponível no dia da prova. Em um certame com seis blocos e provas discursivas, retenção vale mais do que volume de horas.

A segunda são os Cadernos em Poesia, material que condensa o conteúdo em formato de fixação acelerada. Eles resolvem justamente o gargalo de quem precisa revisar Administrativo, Constitucional e Tributário em ciclo curto sem abrir mão da profundidade.

A terceira é o treino de parecer e peça processual. Escrever parecer não é escrever dissertação: exige estrutura, endereçamento e conclusão orientada à defesa do ente público. Esse é um treino que precisa começar antes do edital, porque não se desenvolve em oito semanas.

E quando o edital sair, os Módulos Sob Medida são atualizados conforme o conteúdo programático, sem custo extra. Você não precisa começar a estudar depois da publicação para estudar a coisa certa.

Comece agora, ajuste depois

O concurso PGE BA Procurador está em movimento: autorização dada, comissão designada, banca contratada. O que falta é o edital — e ele não vai esperar você organizar o método.

Conheça a Escola até a Aprovação e monte um plano de estudo que sobreviva à espera do edital e à reta final.

Imagem de capa do artigo: Caderno de estudos para concurso: como escolher o seu

Você estuda todos os dias e não lembra do conteúdo na prova. Na maior parte das vezes, o problema não é você — é o caderno de estudos que está na sua frente.

Na Escola Até a Aprovação, partimos de um princípio simples: você não estuda uma matéria, você estuda um material. Se o material não foi construído para ser memorizado, nenhuma técnica compensa isso.

Por que o material decide o rendimento

Um método de estudo para concurso público se apoia em duas memórias: a visual, sendo a que responde na hora da prova, e a recente, mantida pela revisão.

As duas dependem do material.

Se o texto é prolixo, a marcação não tem o que enxugar. Se não é hierarquizado, a memória visual não tem estrutura para guardar. Se é longo demais, a revisão deixa de caber na rotina — ninguém revisa quinze páginas de texto corrido por tópico, ciclo após ciclo.

E, se o material não é atualizado, você acumula folhas avulsas de jurisprudência que nunca entram no estudo. O que não está no material base, na prática, não é estudado.

Os cinco critérios de um bom caderno de estudos

Antes de avaliar qualquer material, vale ter os critérios claros.


Critério

O que significa, na prática!

Objetividade

Frases nas palavras exatas para a compreensão, sem rodeio

Hierarquização

Você sempre sabe o que está dentro do quê, visualmente

Fonte única

Lei, doutrina e jurisprudência no corpo do texto, não em três arquivos

Remissões no ponto certo

O julgado aparece ao lado do tema, não em caderno separado

Atualização contínua

Mudança legislativa entra no lugar exato do conteúdo

Nenhum desses critérios é estético. Todos existem para reduzir o caminho entre a página e a sua memória.

O erro que atrasa preparações inteiras

Colecionar material é o oposto de estudar com método. Cada troca joga fora a intimidade construída e reinicia do zero o que já estava andando.

A fidelidade a um único caderno por disciplina cria uma espécie de “Ctrl+F mental”: na prova, você sabe onde a informação está porque passou por ela dezenas de vezes, sempre no mesmo formato.

Como os Cadernos em Poesia aplicam esses critérios

Os Cadernos em Poesia são o material base da Escola Até a Aprovação, construído para atender aos cinco critérios de uma vez.

Cada página é escrita com frases direcionadas, nas palavras exatas para a compreensão do conteúdo — enquanto um material convencional costuma trazer frases extensas e muitas vezes prolixas, que fazem você perder tempo com informação desnecessária.

A hierarquização já vem embutida. O trabalho visual que você teria de refazer em mapas mentais chega pronto.

Ao longo de todo o material, nossa equipe insere complementações e remissões que conectam lei e jurisprudência ao tópico estudado, com nota de rodapé para o julgado que não pode confundir o texto principal — incluindo o registro de correntes divergentes quando o tema é controverso.

E a atualização é contínua: legislação e jurisprudência relevantes entram periodicamente, no ponto certo do conteúdo.

O efeito prático é liberar sua energia para o que decide a prova: decorar o material, com a segurança de que o conteúdo importante está ali dentro.

Leia mais: Como estudar para concurso: método, material e mentalidade

Como usar o seu caderno

Ter o material certo é metade. A outra metade é o que você faz com ele.

Marque menos: se tudo é importante, nada é importante. Sinalize o que é regra, o que é exceção e o que traz informação nova. Avance sempre anotando onde parou — e, ao chegar na última página, volte à primeira. A revisão passa a ser cíclica por construção, e cada volta é mais rápida que a anterior.

Escolha um caderno e não troque mais

Se o seu material hoje é prolixo, desatualizado ou impossível de revisar, é ele que precisa mudar primeiro — antes do horário, antes do cronograma, antes da técnica.

As matrículas na Escola Até a Aprovação estão abertas. Conheça os Cadernos em Poesia e o Método Até a Aprovação.

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